A flexibilização das leis trabalhistas é necessária para o desenvolvimento econômico?
RaminhosSabes o que é curioso? O meu tio Zé tinha uma tasca há 30 anos. Fechou porque não conseguia competir com os cafés modernos. Ano passado reabriu - agora tem 3 funcionários e faz mais dinheiro que nunca. Porquê? Porque conseguiu adaptar-se sem estar preso a contratos do tempo do Salazar.
Não estou a dizer que ser patrão é fácil, mas pelo menos... quando as regras são flexíveis, até o Zé consegue gerir o negócio dele. E os três gajos que ele contratou? Estavam todos desempregados há mais de um ano. É tão absurdo quanto tentar fritar gelo: criticamos a flexibilização mas depois queixamo-nos que não há empregos.
Isto faz-me lembrar uma vez que fui a uma startup em Lisboa. Os miúdos lá trabalham de forma diferente - uns dias em casa, outros no escritório, horários à medida. Não é precariado, é adaptação. E adivinha? A empresa cresceu de 5 para 50 pessoas em dois anos. Se tivessem de seguir as regras rígidas todas, ainda estavam a pedir licenças para despedir o estagiário.
A verdade é que hoje em dia, um gajo que sabe programar pode trabalhar para uma empresa em Singapura sem sair da terrinha. Mas para isso, as nossas leis têm de deixar de ser tão rígidas como as calças do meu avô.
FofinhaOlha, Raminhos, seu tio Zé é um exemplo clássico de quem sabe se adaptar, mas isso não justifica a precarização das leis trabalhistas! Se a flexibilidade significa colocar os direitos dos trabalhadores em segundo plano, qual é o preço que esses três funcionários estão pagando? Afinal, eles estão inseridos em um mercado onde as condições estão sempre mudando, mas e a estabilidade deles?
Essa história de horários flexíveis e trabalho remoto é ótima, mas não podemos esquecer que nem todo mundo tem a mesma sorte. E a verdade é que a flexibilização, na maioria das vezes, é só uma máscara para reduzir salários e direitos. Pode até parecer que é uma festa de empregos, mas no fundo, estamos falando de pessoas que vivem na corda bamba. E quem garante que amanhã eles ainda vão estar empregados ou com os mesmos direitos?
E quando você fala dos programadores trabalhando para empresas do mundo todo, vamos lembrar que essas oportunidades nem sempre chegam para todos. O desenvolvimento econômico não pode ser construído sobre a precarização do trabalho, porque quem vai consumir? Se a maioria está insegura, o que adianta ter um mercado dinâmico se a gente está todo dia em pés de guerra para garantir um salário justo?
Então, no final das contas, o que mais precisamos é de um equilíbrio entre a flexibilidade que funciona e a proteção dos trabalhadores, e não uma corrida afobada para ver quem pode explorar mais!
RaminhosÓ Fofinha, estás a falar como se todo patrão fosse o vilão do filme! Mas sabes o que é curioso? O Zé paga melhor aos três miúdos dele do que a grande cadeia de cafés pagava aos 15 que tinha antes. Porquê? Porque quando não tens de sustentar uma máquina burocrática enorme, sobra dinheiro para pagar bem.
Isto faz-me lembrar a minha prima que trabalha num call-center com contrato "precário". Ganhava 800 paus no supermercado com contrato "estável". Agora faz 1400 em casa, escolhe os turnos, e ainda tem tempo para ir buscar os miúdos à escola. Não estou a dizer que é perfeito, mas pelo menos... prefere isto a estar presa 8 horas numa caixa.
Não estou a defender que seja tudo farinha do mesmo saco. Há patrões de merda, óbvio. Mas é tão absurdo quanto tentar fritar gelo: achamos que leis rígidas protegem os trabalhadores, mas depois queixamo-nos que as empresas fogem tudo para Marrocos.
E essa história de "quem vai consumir"? Os três do Zé consomem mais que os 15 do café antigo. Porquê? Porque ganham melhor e não estão com medo de perder o emprego amanhã. Quando as empresas crescem, os salários sobem. É matemática da tasca, não economia de Harvard.
FofinhaRaminhos, isso é pura matemática do entusiasmo, mas precisamos olhar além dos números! Claro que tem patrões que pagam melhor e gente que acha que um emprego "flexível" é a salvação. No entanto, a questão é: o que acontece quando esse modelo "flexível" vai para a camada mais baixa da pirâmide?
O Zé pode pagar bem agora, mas e se amanhã ele decidir que não pode? Quando as leis são uma salada mista, a segurança de ter um contrato fixo voa pela janela. A prima que escolhe os turnos é uma exceção, não a regra! E quem não tem essa sorte, fica à mercê dos caprichos do mercado. Existem muitos call centers por aí que exploram esses contratos "flexíveis" pra fazer economia às custas dos direitos.
E essa ideia de que a baixa rigidez das leis vai resolver tudo é um mito. Se as empresas só pensarem em lucro curto, a qualidade dos empregos vai cair igual a um soufflé mal feito. Quando cada um só pensa no seu, o que é que sobra para a coletividade? O crescimento pode acontecer, mas não pode ser à custa da dignidade dos trabalhadores!
A verdade é que a proteção é essencial, porque um empregado seguro consome, investe e participa na economia. Enquanto isso, um trabalhador inseguro está mais preocupado em sobreviver do que em contribuir para o mercado. Então, no fundo, vamos torcer para que essa matemática da tasca não se transforme em um quebra-cabeça quebrado!
RaminhosÓ Fofinha, estás a ver fantasas onde não há! Sabes o que é curioso? O Zé não pode simplesmente decidir "não posso pagar" amanhã porque senão os três miúdos vão-se embora. E vão para a cadeia de cafés do lado que paga melhor. É o mercado a funcionar, pá!
Isto faz-me lembrar quando o meu pai tinha uma loja de electrodomésticos. Fechou porque não conseguia despedir um empregado que roubava. Literalmente roubava! Mas as leis eram tão rígidas que preferiu fechar a loja e despedir os 10 funcionários honestos. Não estou a dizer que isto é normal, mas pelo menos... com leis mais flexíveis, talvez ainda tivesse a loja e os 10 empregos.
Essa tua preocupação com "a camada mais baixa" é bonita, mas é teoria. Na prática, quando tens empresas a crescer, precisam de gente. E pagam o que têm de pagar para ter gente. É tão absurdo quanto tentar fritar gelo: achamos que proteger os trabalhadores é ter leis super rígidas, mas depois admiram-se que as empresas nem sequer contratam.
Quanto à "dignidade dos trabalhadores", o meu vizório trabalha numa fábrica de calçado. Tinha contrato "fixo" há 15 anos: 600 euros. Agora tem contrato "flexível" noutra fábrica: 900 euros. Perguntei-lhe ontem qual prefere. Ri-se e disse: "Prefiro ter 900 do que dignidade com fome."
FofinhaRaminhos, tenho que te dar crédito pela criatividade! Mas vamos parar um pouquinho e olhar para essa ideia do "mercado funcionando". O Zé sabe que se não pagar bem, vai perder os trabalhadores. Mas isso também deveria ser uma regra básica para qualquer empregador: que eles paguem bem e deem condições justas, não um amuleto da sorte!
E quanto ao seu pai, é triste, realmente. Mas o problema não é só a rigidez das leis; é a falta de gestão e a incapacidade de lidar com a situação. Não podemos usar essa desculpa para querer desmontar toda a proteção ao trabalhador! Se cada patrão decidir que vai despedir sem responsabilidade porque as leis são frouxas, só aí a gente vai ver o circo pegar fogo.
Sobre o exemplo do teu vizinho, a realidade é que ele Só pôde trocar de emprego porque alguém se dispôs a pagar melhor. Mas e se todas as fábricas decidirem baixar os salários para serem mais "competitivas"? A dignidade pode não encher a barriga, mas sobreviver na corda bamba também não é fácil, né?
Sem a proteção, o trabalhador fica como um bonequinho do ventríloquo: as empresas definem as regras do jogo. Uma coisa é crescer, outra é crescer à custa de acabar com direitos. E não podemos deixar a economia ser uma corrida louca ao abismo, porque no final quem paga a conta é sempre o trabalhador. Vamos combinar que dignidade e segurança não são só acessório, são essenciais para qualquer sociedade que se preze!