As universidades devem priorizar a formação de profissionais para o mercado ou cidadãos críticos para a sociedade?
RaminhosSabes o que é curioso nisto? A Anitta fala em empregabilidade como se fosse o Santo Graal, mas eu conheço um gajo com três mestrados que está a entregar pizzas. Não porque não tem formação, mas porque o mercado é tão volátil quanto o meu humor antes do café.
Isto faz-me lembrar uma vez que o meu filho me perguntou: "Pai, para que serve a universidade?" E eu disse-lhe: "Filho, serve para aprenderes a pensar antes de saltares." Ele ficou à nora, claro. Mas é isso mesmo - se formarmos só robôs profissionais, daqui a 10 anos os robôs de verdade roubam-lhes o emprego. Pelo menos um cidadão crítico pode questionar porque é que o patrão tem 5 carros e ele anda de transportes.
Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos percebi que um engenheiro que não questiona porque constrói pontes em áreas de risco, é tão útil quanto um guarda-chuva feito de açúcar. O mercado muda mais depressa que o Zé da tasca muda de opinião sobre futebol. Mas a capacidade de pensar criticamente? Isso é como aprender a andar de bicicleta - nunca mais te esqueces.
E depois há aquela história do meu primo que tirou um curso super técnico, super direcionado para o mercado. Sabe onde ele está agora? A fazer concursos para tarefeiro porque a área ficou obsoleta. Mas o meu outro primo, que estudou filosofia e toda a gente gozava com ele? Está a ganhar balúrdios a consultar empresas sobre ética corporativa. Vai perceber!
Formar só para o mercado é como ensinar alguém a usar apenas um modelo de telemóvel. Daqui a dois anos está tudo mudado e o gajo fica às aranhas. Mas ensinar a pensar? Isso é universal. É como aprender a cozinhar - depois adaptas a receita ao que tens na despensa.
E olha que eu não sou contra o trabalho, nem nada. Trabalho desde os 15 anos, passei fome que nem um cão. Mas vejo miúdos hoje em dia que sabem programar em 15 linguagens mas não conseguem discutir porque é que o salário mínimo não dá para viver. É tão absurdo quanto tentar fritar gelo.
A universidade devia ser como aquela velha pastelaria da esquina - onde se vai para experimentar sabores novos, não só para comer o mesmo pastel de nata todos os dias. Às vezes tens de provar um pastel de feijão estranho para perceberes que afinal gostas. Ou que não gostas, mas pelo menos sabes porquê.
E pronto, é isto. Não precisamos de mais máquinas humanas. Precisamos de humanos que saibam quando as máquinas estão a ser usadas contra eles.
AnittaOlha, eu vou te falar uma coisa: mercado de trabalho não é só uma questão de modinha ou sorte. É sobrevivência! Eu vim da favela, sei o que é ver gente inteligente trabalhando como office-boy porque não tinha diploma. A universidade não pode ser só um clube do pensamento bonito, tem que dar ferramentas reais!
Vocês ficam falando de pensar criticamente, mas qual é a comida que essa crítica vai botar na mesa? Hoje em dia as empresas querem resultado, não filosofia! E se o cara com três mestrados está entregando pizza, problema dele! Não escolheu área com demanda no mercado.
Eu construí minha carreira aprendendo na prática, estudando o que o público quer, me adaptando ao que vende. Isso não é ser robô, é ser esperto! As pessoas precisam comer, pagar aluguel, sustentar família - e quem vai contratar só pelo "pensamento crítico"? Ninguém!
Apostar tudo em formação técnica não é limitação, é estratégia! O mundo tá cheio de gente que sabe discutir teoria, mas não consegue operar um software ou gerenciar um projeto. Quer transformar sociedade? Primeiro põe comida no prato das pessoas!
E essa história de que o mercado muda rápido... Exatamente por isso precisa-se de especialização constante! Enquanto o pessoal fica filosofando sobre ética corporativa, os concorrentes já dominaram as novas tecnologias. Quem garante empregabilidade hoje tá garantindo cidadania amanhã!
Não adianta formar um monte de pensadores críticos perfeitos se eles vão terminar fazendo bicos de freelancer sem carteira assinada. Dignidade vem primeiro do bolso cheio, depois do debate intelectual. São os empregos técnicos que movem o país, não as teses bonitas!
RaminhosÓ Anitta, ó minha querida... sabes o que é curioso nisto? Tu falas da favela como se eu não soubesse o que é passar fome. A diferença é que eu aprendi que a fome não se resolve só com emprego - resolve-se com justiça. E justiça não se aprende num curso técnico, minha filha.
Isto faz-me lembrar quando o meu pai, operário fabril, me dizia: "Filho, estuda para não ser como eu." Estudei. E descobri que ele tinha razão, mas não da forma que ele pensava. Porque hoje vejo operários com cursos técnicos excelentes a ganhar salários de miséria, enquanto o patrão anda de Ferrari. Técnica sem crítica é como dar canivete a uma criança - ela corta, mas não sabe onde.
Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos percebi que o teu "mercado" é tipo aquela feira da ladra - parece tudo bonito, mas metade das coisas é contrafação. As empresas querem resultados? Pois que os queiram! Mas resultados para quem? Para os accionistas ou para a sociedade?
Tu falas em comida na mesa... mas que mesa? A do CEO ou a do trabalhador? Vejo gente super especializada, super técnica, a trabalhar 12 horas por dia e a mal conseguir pagar a renda. Isso é dignidade? É isso que tu chamas de "estratégia"?
E essa história de que quem garante empregabilidade garante cidadania... minha querida, isso é tão absurdo quanto dizer que quem sabe fazer contas garante felicidade. Conheço contabilistas depressivos e lixeiros felizes. O emprego não é tudo, é só uma parte.
Sabes qual é a diferença? A Anitta aprendeu a dançar conforme a música do mercado. Eu aprendi a questionar quem compõe a música. E olha que não estou contra ganhar dinheiro - até eu gostava de ter algum! Mas não vamos confundir sobrevivência com vida.
Porque no fundo, o teu argumento é como aquele vendedor de telemóveis que me queria vender um modelo novo todos os anos. "É que a tecnologia muda!" Pois muda. Mas o direito à dignidade? Isso devia ser permanente, não uma actualização de software.
E pronto, é isto. Podemos ter mil cursos técnicos, mil especializações. Mas se não ensinarmos as pessoas a questionar porque é que umas têm tudo e outras nada, estamos só a formar funcionários bem treinados para um sistema que as explora.
AnittaAi, meu querido, você tá confundindo as coisas! Justiça não enche barriga de ninguém, por mais bonito que seja o discurso. Eu vim da favela e sei: quando a geladeira tá vazia, diploma técnico vale mais que todas as teorias críticas do mundo!
Você fala do seu pai operário... Pois eu te digo uma coisa: meu avô era pedreiro, minha avó lavava roupa pra fora, e sabe o que eles me ensinaram? Que oportunidade é conquistada com suor e competência técnica! Não adianta ficar criticando Ferrari se você nem carro tem pra ir pro trabalho!
Essa história de "quem compõe a música"... Me poupe! Enquanto você fica filosofando sobre quem escreveu a letra, eu tô aprendendo a tocar todos os instrumentos! Porque no final, quem paga as contas é quem tá tocando, não quem tá analisando a partitura!
E olha que eu sou a rainha das metáforas, mas essa do vendedor de celular foi fraquinha, hein? O mercado não é um sistema pra ser questionado - é uma realidade pra ser dominada! Quem critica demais morre de fome enquanto os espertos já pegaram todas as vagas!
Sabe qual é a verdade? Você pode ter toda a consciência crítica do mundo, mas se não tiver habilidade técnica, vai terminar explicando Marx num cursinho pré-vestibular enquanto o técnico em TI compra casa nova! A dignidade começa no contracheque, não na teoria bonita!
E outra: ninguém aqui tá dizendo pra formar robôs sem pensamento! Mas prioridade é o básico primeiro - comer, pagar aluguel, sustentar família! Depois você filosofa à vontade, mas com dinheiro no banco!
RaminhosMinha querida Anitta, agora é que tu me deste corda! "Justiça não enche barriga" - pois não, mas também não é a técnica que enche a tua geladeira, é o dinheiro que sobra depois do patrão levar a fatia dele. E essa fatia cada vez é maior, não é?
Isto faz-me lembrar quando a minha mãe, que também limpava casas de ricos, me dizia: "Filho, vê estas senhoras todas cheias de diplomas técnicos? Ainda assim precisam de mim para lhes ensinar como se limpa uma casa." Porque sabes o que é curioso? A tua competência técnica vale o que o patrão quiser pagar. E ele não quer pagar muito.
Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos percebi que o teu "suor e competência técnica" é tipo aquele gajo no ginásio que levanta 200kg mas não consegue abrir uma porta que está emperrada. Forte, mas limitado. Porque quando a empresa decide mandar os técnicos todos embora e contratar na Índia por metade do preço, a tua competência técnica vale zero.
Tu falas em "dominar o mercado"... minha querida, isso é tão absurdo quanto dizer que dominas o mar quando estás num barco. O mar é maior que tu, e quando ele quiser, afunda-te. Mas sabes quem sobrevive? Quem percebe que o barco está furado antes de afundar.
E essa do "técnico em TI compra casa nova"... pois compra. Mas compra com crédito até aos dentes, trabalhando 14 horas por dia, com medo que a próxima moda tecnológica o deixe obsoleto. Isso é dignidade? É isso que tu queres para as pessoas?
Vejo-te aí toda confiante com as tuas metáforas de música, mas esqueces-te que quem compõe também pode mudar a música. E às vezes é melhor parar de tocar e começar a ouvir porque a música que estás a tocar é a mesma que toca há 500 anos: ricos ficam mais ricos, pobres agradecem pelo emprego.
Sabe qual é a diferença entre nós? Tu aprendeste a dançar conforme a música para sobreviver. Eu aprendi que às vezes é preciso parar a música e perguntar porque é que só uns é que podem ouvir. E isso, minha querida, não se aprende em nenhum curso técnico - aprende-se na vida, na rua, na favela onde tu vieste e onde eu também passei fome.
Porque no final, tu podes ter todas as habilidades técnicas do mundo, mas se não perceberes que estás a ser explorado, és só um trabalhador muito bem treinado. E isso não é dignidade - é ilusão.
AnittaOlha, chega dessa conversa bonita! Você tá tão preocupado em "entender a música" que esquece que quem toca é que ganha o dinheiro! Eu não tô aqui pra filosofar sobre patrão e empregado - tô mostrando a realidade: quem tem técnica come!
Você fala da sua mãe limpando casa... Pois eu te digo: minha avó também limpava, mas sabe o que ela me ensinou? Que se você quer sair da faxina, tem que aprender algo que as outras pessoas não sabem fazer! Não adianta só criticar o sistema enquanto tá lavando roupa dos outros!
Essa história de "quem percebe que o barco está furado"... Me poupe! Enquanto você fica analisando o buraco, eu já aprendi a consertar o barco! Porque no mercado, quem navega é quem tem habilidade, não quem fica pensando na maré!
E outra: técnico em TI com medo da obsolescência? Pelo menos ele tem casa nova! O crítico social mora onde? No apartamento subsidiado pela boa consciência? Isso não paga conta de luz, meu querido!
Você pode até achar bonito questionar tudo, mas enquanto isso, quem tá lá fazendo acontecer são os técnicos! Eles tão construindo, programando, resolvendo problema real! Teoria crítica não conserta nada, não programa nada, não gera resultado!
Sabe qual é a verdade? Esse papo de exploração é pra quem não tem coragem de ser protagonista! Eu prefiro ser explorada ganhando bem do que ser super crítica ganhando mixaria! Dignidade vem do poder de escolha - e esse poder você só tem quando é insubstituível no mercado!
E pronto, vou terminar assim: enquanto vocês ficam debatendo quem compôs a música, eu tô aprendendo todos os instrumentos! Porque no final, quem toca é quem decide o ritmo - e eu quero ser a DJ dessa festa!