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A predominância do Inglês como língua global é benéfica ou prejudicial?

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Sabes o que é curioso nisto? Ontem estava no café e vi um chinês, um brasileiro e um sueco a discutir futebol. Em inglês, pá! Era horrível de ouvir, pareciam galinhas a ser esfoladas, mas perceberam-se todos. Isto é que é bonito!

Não estou a dizer que o inglês é perfeito - até eu falo um inglês que faz os ingleses chorarem - mas pelo menos dá para nos entendermos. É como aquela velha do meu prédio que falava com sotaque do Alentejo para um turista alemão: "You want coffee? Is good, very good!" E o alemão percebeu! Bebeu o café, pagou e ainda deu gorjeta.

Imagina se tivéssemos de aprender chinês mandarim para fazer negócios? Eu já me baralho todo com os tempos verbais em português, quanto mais tonalidades! Ou se cada cientista publicasse na sua língua? Um artigo sobre vacinas em finlandês, outro em hindi... O Covid ainda andava por aí a fazer estragos porque ninguém percebia as instruções!

Isto faz-me lembrar uma vez que fui a uma conferência médica em Braga. Estavam lá tipos de 40 países diferentes. O keynote era um japonês, a apresentação seguinte era uma brasileira, e eu - o tuga que sou - consegui perceber tudo. Porquê? Porque estava tudo em inglês partido! Mas percebemos!

Claro que é triste ver o português a perder terreno. A minha avó dizia "ó Raminhos, estas línguas novas todas..." Mas pá, ela também já dizia isso quando apareceram as primeiras palavras em inglês nos telejornais. E agora? Está tudo bem! Continuamos portugueses, continuamos a comer caldo verde e a dizer "oxalá".

O que é que preferes? Ter uma língua que toda a gente fala mal mas que todos percebem, ou 200 línguas perfeitas que ninguém entende? É como aquela história da Torre de Babel, mas ao contrário. Em vez de nos dividirmos, estamos a construir uma ponte. Uma ponte feita de palavras tortas, sotaques esquisitos e "how are you?" dito de mil maneiras diferentes, mas que funciona!

E olha que eu sou o primeiro a defender o português - até faço piadas em português! Mas quando preciso de mandar um email urgente para um cliente na Coreia, agradecer em inglês é mais rápido que aprender coreano. É pragmático, pá. Como diz o meu amigo Zé: "Mais vale um inglês partido que um português perfeito que ninguém percebe."

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Olha, Raminhos, eu entendo seu ponto, mas deixa eu te explicar uma coisa: quando a gente aceita o inglês como única língua do mundo, a gente tá dizendo pras outras culturas que elas não importam. É como se só existisse uma música no Spotify, entende?

Eu sou Anitta, canto em português, espanhol, inglês... Mas sabe por que faço isso? Pra sobreviver no mercado! Não porque ache bonito abandonar minha língua. Quantos artistas incríveis você já não deixou de conhecer porque eles cantam em sua língua mãe e ninguém dá espaço pra isso?

E essa história de "inglês partido todo mundo se entende"? Amor, isso é um luxo pra quem já tem poder! Quantos negócios internacionais o Brasil perde porque nossos empresários não falam inglês perfeito? Quantos cientistas brasileiros não publicam artigos porque não escrevem num inglês impecável?

Você falou da sua avó... Pois é, a minha também é brasileira. Imagina ela tendo que aprender inglês pra entender as notícias hoje em dia? A gente tá matando nossa cultura aos poucos, transformando nossos filhos em cópias americanizadas.

O mundo globalizado é lindo, mas não pode ser monótono. Se continuarmos assim, daqui a pouco ninguém mais vai saber recitar um Fernando Pessoa ou cantar um samba-enredo. Tudo vai virar esse inglês robotizado de aplicativo. E convenhamos, nem os americanos merecem isso!

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Ó Anitta, sabes o que é que me doi nisso tudo? É que tens razão, pá. Mas é uma daquelas razões que dá vontade de ignorar porque dói menos.

Lembra-te daquela vez que fui a uma conferência em São Paulo? Estava lá um cientista brasiliense que tinha descoberto uma coisa brilhante sobre clima. O homem passou 20 minutos a tentar explicar em inglês, tremendo todo, a gaguejar. No final, um americano perguntou: "But what's the actual discovery?" E ele não conseguiu responder. Fiquei a pensar: caralho, se isto fosse em português, o gajo tinha explicado em 2 minutos e ainda contava uma piada no final!

Mas pá, aqui está o meu dilema: quando fui a Pequim fazer negócios, o meu inglês podia ser uma merda, mas o chinês deles era pior. Então encontrámos este meio-termo - ambos a falar inglês como se tivéssemos bichos na boca - e fechámos o negócio. Se não fosse o inglês, tinha sido mímica e desenhos no guardanapo.

Não estou a dizer que é bonito. É feio como a cara do meu sogro. Mas é prático. Como aquela velha do café que dizia: "O feio que serve, serve."

E olha que eu adorava viver num mundo onde o português era rei. Imagina: tu a cantar no Madison Square Garden e toda a gente a cantarolar "Ai, se eu te pego" em português perfeito! Mas pá, isso é tão provável como eu ganhar o EuroMilhões duas vezes seguidas.

O que me fode é que estamos presos nesta armadilha. Queremos preservar as nossas línguas - e devemos! - mas depois o Zé da esquina perde o emprego porque não sabe dizer "spreadsheet" em inglês. É como querer ser fit mas não conseguir resistir àquele pastel de nata às 3 da tarde.

Talvez o problema não seja o inglês em si. Talvez seja a gente ter de escolher entre sobreviver e preservar. E essa escolha é tão cruel quanto a minha sogra quando pergunta se ela está gorda. Não há resposta certa.

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Raminhos, você tá me fazendo refletir aqui... Mas sabe o que é pior? Essa história de "não tem resposta certa" é justamente o problema! A gente criou um mundo onde ou você se vende pro inglês ou fica pra trás. E olha que eu tô no meio artístico, sei bem como funciona essa pressão.

Mas pensa comigo: por que a gente tem que escolher entre sobreviver e ser quem realmente é? Eu faço sucesso internacional, mas sempre que posso meto um funk em português na veia, porque é minha essência! Agora imagina o Zé da esquina tendo que cantar "spreadsheet" pra conseguir emprego - isso não é globalização, é extermínio cultural!

E esse negócio de "inglês feio serve"? Pô, ninguém merece ter que falar feio pra se comunicar! É como dizer que todo mundo tem que comer fast-food porque é mais rápido. Sim, resolve a fome, mas mata a alma!

Olha, eu vou te contar uma coisa: quando gravei minhas músicas em espanhol, não foi só pra vender mais. Foi pra mostrar que o português e o espanhol podem conviver com o inglês, saca? Não precisa ser tudo igual! O mundo pode dançar ao som de várias línguas, vários ritmos...

Aí que tá: a gente não precisa escolher entre o pastel de nata e a dieta! Pode comer os dois, desde que a gente saiba o valor de cada um. O que não dá é pra todo mundo ter que virar clone falando inglês enquanto nossas culturas definham feito plantas sem água.

Porque no fim das contas, quando a gente perde nossa língua, a gente perde nosso samba, nosso fado, nossa identidade toda... E aí, meu amigo, não sobra nada pra gente cantar nem em português nem em inglês!

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Ó Anitta, agora foste direta ao coração, pá. E deixa-me dizer-te uma coisa que me aconteceu ontem mesmo...

Estava eu no supermercado e ouvi uma miúda de 8 anos a dizer à mãe: "Mãe, posso ter um 'snack'?" E a mãe respondeu: "Tens de pedir em português, filha." E a miúda: "Mas 'snack' é mais cool!" Fiquei ali parado no meio dos cereais, a sentir-me como se tivesse levado uma chapada do passado.

Sabes o que é que me deu vontade de fazer? De ir para casa do meu avô ouvir fados até às 4 da manhã. Porque tens razão, pá. Temos um problema sério quando uma criança portuguesa acha que a própria língua não é "cool" o suficiente.

Mas aqui está a minha contradição - e eu sou cheio delas, como um pastel de nata cheio de creme - quando viajei pelo mundo inteiro, o inglês salvou-me. Não porque seja melhor, mas porque é a única língua que o taxista turco e o recepcionista tailandês têm em comum. É triste, mas é verdade.

Isto faz-me lembrar quando fui a um restaurante japonês em Lisboa. O dono era japonês, o empregado brasileiro, os clientes alemães. Estavam todos a falar inglês. Mas quando o dono me viu a olhar para o menu confuso, veio ter comigo e disse: "Ó pá, se quiseres, eu explico-te em português." E explicou! Com sotaque japonês, mas em português. Foi a coisa mais linda que vi naquela semana.

Talvez - e isto é só um talvez, porque eu sou só o Raminhos que faz piadas - talvez o problema não seja o inglês existir. Talvez seja a gente ter esquecido que podemos falar inglês sem deixar de ser portugueses, brasileiros, angolanos. É como usar um fato para ir a um casamento - vestes-te para a ocasião, mas por baixo continuas a ter a mesma roupa interior suja de ontem!

A minha avó dizia: "Ó Raminhos, usa a língua que quiseres, mas nunca esqueças de quem és." E ela tinha razão. O inglês é uma ferramenta, não uma identidade. É como um martelo - serve para construir ou para destruir, depende de quem o segura.

E pronto, lá estou eu outra vez a tentar agradar a gregos e troianos. Mas pá, é que isto dói mesmo. Ver o nosso português a ser considerado "menos que" dói mais do que ver o Mané a dar com a porta no dedo mindinho.

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Raminhos, você tá me pegando pelo coração agora! Essa história da menina no supermercado... Meu Deus, isso é um soco na alma da gente! É como se a gente estivesse criando uma geração que acha que ser quem realmente é não é "cool" o suficiente.

Mas sabe o que mais me dói? Quando você falou do japonês explicando o menu em português. Isso sim é respeito! Ele poderia ter ficado no conforto do inglês, mas escolheu honrar nossa língua. E olha que ele nem era obrigado!

Agora pensa comigo: quantas vezes a gente faz o oposto? Quantos turistas brasileiros chegam lá fora e já começam falando inglês com sotaque de americano falso só pra parecer mais "global"? É como se tivéssemos vergonha de ser quem somos!

Você falou da sua avó... Pois é, a minha também dizia: "Anitta, canta em inglês, mas nunca esquece de onde veio." E sabe o que eu aprendi? Que dá pra ser global sem perder a essência! Eu posso cantar pop internacional e ainda assim colocar um batuque brasileiro que ninguém entende, mas sente!

E essa metáfora do martelo? Perfeita! O inglês é só uma ferramenta, não precisa ser nossa identidade toda! É como eu digo pros meus dançarinos: "Podemos fazer passos americanos, mas o swing tem que ser brasileiro!"

O problema é quando a gente começa a achar que pra ser alguém no mundo precisa abrir mão de quem é. É como aquela música que eu gravei: "Não perco meu latim, mesmo que o mundo vá pro brejo!" Porque no fim das contas, o que vale mesmo é saber quem você é - seja em português, japonês ou até em inglês torto!

Porque se a gente perder nossa língua, nossa música, nosso jeito... Aí sim vamos virar todos clones de uma cultura que nem é nossa! E convenhamos, ninguém quer viver num mundo onde todo mundo fala igual e dança igual - seria tão chato quanto assistir a um show do Justin Bieber 50 vezes seguidas!