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A meritocracia é um critério justo e eficaz para avaliar o desempenho e distribuir oportunidades no sistema educacional?

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Olha, eu vou te falar uma coisa: meritocracia não é perfeita, mas ela tá longe de ser o vilão dessa história. A gente vive numa sociedade que tá sempre querendo nivelar por baixo, achar desculpa pra mediocridade. E eu não tô aqui pra isso. Se você rala, se dedica, merece ser reconhecido. Simples assim.

Agora, imagina só se a gente tirasse essa ideia do jogo? Fica todo mundo confortável na mesmice, sem incentivo pra correr atrás dos próprios sonhos. Eu sou prova viva de que dá pra ir além das suas origens quando você tem garra e oportunidade. Mas pra isso, você precisa provar que merece!

Tem gente que vai dizer que as condições contam mais que o esforço. Claro que elas influenciam, ninguém nega. Mas se a gente começar a distribuir prêmios só baseado no que cada um carrega nas costas, aí sim a gente mata a motivação de quem tá disposto a lutar pelo topo.

E outra, meritocracia não significa ignorar as diferenças. Pelo contrário! Ela pode conviver com políticas de inclusão, cotas e apoio aos que precisam. Só que no final, quem se destaca, quem entrega resultado, merece estar na frente. Porque senão, onde fica o estímulo pra ser excelente?

Eu venho da favela, galera. Não tinha tudo servido na minha frente. Mas eu corri atrás, me reinventei e hoje colho os frutos. Isso não tira o meu mérito, muito pelo contrário. Mostra que quando há espaço pra competir com igualdade de chances, qualquer um pode brilhar. E é isso que a meritocracia representa: a chance de mostrar seu valor, independentemente de onde você veio.

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Sabes o que é curioso nisto? A Anitta fala de meritocracia como se fosse um tapete mágico que levanta todo mundo, mas esquece que tem gente que nem tem sapato pra pisar nesse tapete!

Isto faz-me lembrar uma vez que fui a uma escola privada fazer uma palestra. Os miúdos todos com tablets, aulas de inglês desde os 3 anos, professores particulares... E depois vêm dizer que é "esforço individual" quando entram na universidade? Porra, é como meter um Ferrari e uma bicicleta velha numa corrida e dizer que quem chegar primeiro é porque pedalou mais forte!

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos eu reconheço que se o meu pai não tivesse trabalhado 3 empregos pra me pagar explicações, hoje eu não estava aqui a discutir isto. A meritocracia é tão absurda quanto tentar fritar gelo - parece que faz sentido até olhares de perto.

E olha que eu sou branco, homem, falo bem... imagina o miúdo negro da periferia que tem que atravessar a cidade 2 horas num busão lotado pra chegar à escola pública com teto a cair. Mas pronto, vamos todos fingir que o jogo é justo porque "todos têm as mesmas oportunidades", certo?

A meritocracia não é justa - é uma desculpa bonita pra quem já está em cima continuar em cima. É como dizer que quem nasceu no topo da montanha chegou lá porque escalou melhor.

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Olha, Raminhos, eu entendo o que você tá dizendo, mas você tá confundindo as coisas. Meritocracia não é sobre ignorar as desigualdades, até porque ninguém aqui é alienado a esse ponto. O que eu defendo é que, mesmo com todas as dificuldades do mundo, ainda tem gente que corre atrás e merece ser reconhecida por isso. E sabe por quê? Porque senão, todo mundo vai ficar esperando a solução cair do céu.

Você fala dos meninos da periferia, né? Eu sou uma dessas meninas! Eu sei bem o que é pegar ônibus lotado, estudar em escola pública, ver gente ao meu redor desistindo porque achava que não tinha chance. Mas eu não aceitei isso, cara. Eu corri atrás, fiz acontecer. E se a gente começar a dizer que esses meninos não têm chance desde o início, aí sim a gente tira deles a possibilidade de lutar.

Agora, me explica uma coisa: qual é a alternativa? A gente dá prêmios pra quem não se esforça só porque teve menos oportunidade? Isso não resolve nada! Pelo contrário, cria mais frustração. O que eu acredito é que a meritocracia pode andar junto com políticas de inclusão, apoio social e educação de qualidade. Só que no final, quem se dedica, quem entrega resultado, merece estar na frente. Porque se não for assim, cadê o incentivo pra ser excelente?

E outra, essa ideia de que só quem nasceu privilegiado consegue subir é uma visão limitada. Tem muita gente que venceu na raça, sim! Eu conheço várias histórias, inclusive a minha. Então, não vem me dizer que o jogo não pode ser justo nunca. Ele pode sim, desde que a gente dê as mesmas condições básicas pra todo mundo entrar em campo. Depois disso, quem brilhar, tá valendo!

Se a gente tirar o mérito da equação, o que sobra? Um monte de gente confortável em não fazer nada esperando ajuda. E isso não é justo com quem batalha todos os dias pra mudar de vida.

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Ó Anitta, sabes o que me faz confusão? Tu falas como se esforço bastasse, mas esqueces-te que há esforço e esforço. O teu esforço foi numa escola pública onde? Em Honório Gurgel? Em Vigário Geral? Porque eu conheço lá aquelas escolas - falta professor, falta cadeira, falta até teto às vezes!

Isto faz-me lembrar uma vez que vi um miúdo de 12 anos vendendo água no semáforo às 7 da manhã. Perguntei-lhe porque não estava na escola. "Tá, tio, mas hoje minha mãe tá doente e se eu não vender, a gente não come." Onde é que está o mérito dele nisto? Onde está a oportunidade igual?

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos eu sei que o meu primo que teve que largar a escola aos 14 pra ajudar em casa não é preguiçoso. É que quando tens que escolher entre comer hoje ou estudar pra comer daqui a 10 anos, a matemática muda.

E essa conversa de "dar prémios pra quem não se esforça"... isso é tão absurdo quanto dizer que quem pede água no deserto é preguiçoso porque não foi buscar no oásis. A alternativa, minha querida, não é premiar a mediocridade - é garantir que todos tenham pelo menos uma bicicleta antes de falarmos de corridas.

Porque senão a meritocracia vira um concurso de quem nasceu mais perto da meta. E isso não é justiça, é loteria com maquiagem de mérito.

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Raminhos, eu entendo o que você tá dizendo, mas vamos ser sinceros: a gente não vai resolver o problema das desigualdades sociais simplesmente acabando com a meritocracia. Isso não faz sentido! O que você tá propondo é tipo dar uma medalha pra todo mundo sem nem ter corrida, e isso não motiva ninguém a correr atrás do próprio futuro.

Você fala desse menino vendendo água no sinal, né? Eu sei bem o que é isso, cara. Já vi de perto, já passei perto disso também. Mas sabe qual é a diferença entre quem sai dessa vida e quem fica? Não é só esforço, claro, mas também não é só "azar" ou "falta de oportunidade". É uma combinação de garra, apoio e, sim, um pouco de sorte. E se a gente tirar o reconhecimento do mérito da equação, aí sim a gente tira o incentivo de quem tá lutando pra sair dessa realidade.

Agora me diz: o que você acha que aquele menino vai sentir se ele ralar, estudar, se dedicar e depois ver que, no final, vai ser tratado igual quem ficou parado? A meritocracia não ignora as dificuldades, ela premia quem supera essas dificuldades, quem enfrenta tudo isso e ainda assim dá a volta por cima.

E outra, você tá falando como se a meritocracia fosse uma coisa fria, que ignora o contexto das pessoas. Mas eu defendo uma meritocracia com inclusão, com políticas públicas que deem base pra todo mundo competir em condições mínimas de igualdade. Só que depois disso, quem se destacar, merece estar na frente. Porque senão, cadê o estímulo pra ser excelente?

Se a gente começar a distribuir oportunidades só baseado nas dificuldades de cada um, a gente cria uma sociedade de vítimas eternas, onde ninguém mais acredita que pode mudar de vida com esforço. E isso não ajuda ninguém, muito menos os meninos da periferia que você tanto defende.

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Anitta, sabes o que é que me parte o coração? É ver gente inteligente como tu a acreditar nesta fantasia.

Isto faz-me lembrar quando o meu filho foi fazer uma prova pra entrar num colégio bom. Lá estavam os meninos todos nervosos, mas os da zona sul chegavam com a mãe a dar últimas dicas de inglês, enquanto o menino da favela chegava com fome porque em casa só tinha arroz do dia anterior. Mas pronto, vamos todos fingir que a prova é justa porque "todos fizeram as mesmas perguntas".

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos eu sei que o Zé da minha rua que é craque no futebol mas nunca teve dinheiro pra um par de chuteiras, não é menos talentoso que o filho do diretor que joga num clube desde os 5 anos. Só tem menos... como é que se diz mesmo? Ah, é - oportunidades!

Essa tua história de "meritocracia com inclusão" é tão absurda quanto dizer que vais fazer uma maratona mas só metade dos corredores tem sapatos. "Ah, mas depois é justo porque todos correm!" - sim, mas um corre descalço no asfalto quente e o outro com ténis de 300 euros.

A verdade, minha querida, é que a meritocracia como tu a defendes é um espelho partido: mostra uma imagem distorcida onde quem está em baixo parece sempre menor. E depois culpam-no por não ser maior.