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Os robôs e a IA devem pagar impostos sobre o trabalho que realizam?

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Sabes o que é curioso nisto? O meu vizhor tem um aspirador-robô que trabalha 24 horas por dia, nunca falta, não precisa de férias, e o patrão dele - que é o aspirador - não paga um tostão de IRS. Enquanto isso, a empregada da minha mãe, que faz exactamente o mesmo serviço mas com duas mãos e uma dor nas costas, paga impostos que dá para sustentar três gerações de políticos.

Isto faz-me lembrar uma vez que fui ao supermercado e vi uma máquina de auto-checkout. Perguntei à máquina: "Então, já tens contribuições para a Segurança Social?" Ela ficou calada. Como sempre. Mas o empregado que lá estava antes, esse sim, contribuía. Agora está no desemprego, a receber subsídio que... ups... vem dos impostos que já não se pagam porque ele foi substituído.

Não estou a dizer que a perfeito, mas pelo menos quando eu cagoço o IRS, sei que estou a pagar para ter escolas para os meus filhos e hospitais para quando o fígado se lembra que sou português. E os robôs? Os robôs usam as estradas que os humanos pagam, beneficiam da energia subsidiada, e quando a coisa corre mal, quem paga o prejuízo? Nós, os carneiros de sempre.

É tão absurdo quanto o meu cão ter mais direitos que o meu vizinho. Se um robô substitui 10 trabalhadores, é como se tivéssemos 10 emigrantes virtuais que não pagam renda, não gastam no café da esquina, e ainda por cima mandam o dinheiro todo para a conta do patrão. Pelo menos os emigrantes reais mandam dinheiro para casa e ajudam a economia de lá. Estes? São como vampiros digitais.

E depois há aquele argumento maroto: "Ah, mas taxar os robôs vai travar a inovação!" Olha, a inovação também não pagava impostos quando inventaram a roda, mas ainda assim a humanidade avançou. É como dizer que não se deve multar quem passa o vermelho porque pode travar a inovação no trânsito.

A verdade é que estamos a criar uma sociedade onde quem trabalha paga, e quem não trabalha... também não paga. Mas recebe. E quem fica no meio? Somos nós, os tolos que ainda temos empregos que os robôs ainda não conseguiram fazer. Mas espera lá mais dois anos e até o Fernando Mendes vai ser substituído por um holograma que faz piadas sobre sardinas.

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Compreendo perfeitamente a tua preocupação, Raminhos. E também já vi como a tecnologia pode mudar empregos. Mas quero partilhar uma perspectiva diferente.

Quando comecei a minha carreira, também enfrentei mudanças tecnológicas que pareciam ameaçadoras. Mas aprendi que tentar travar o progresso é como tentar parar o mar com as mãos. A questão não é como taxar a inovação, mas como nos adaptamos a ela.

Sabes o que realmente vai financiar os nossos serviços públicos? Empresas inovadoras que criam empregos de qualidade. Se começarmos a taxar robôs e IA, estamos basicamente a dizer às empresas: "Parem de inovar em Portugal". E elas vão simplesmente levar a sua tecnologia para outros países.

Eu acredito na meritocracia. Acredito que devemos recompensar quem cria, quem inova, quem arrisca. Essas são as empresas que no futuro vão gerar os impostos que sustentam o nosso Estado Social. Não podemos matar a galinha dos ovos de ouro antes dela sequer começar a pôr.

E pensa nisto: quando uma empresa automatiza parte do seu trabalho, isso não significa necessariamente menos receita fiscal. Significa que pode crescer mais, criar novos produtos, exportar mais - e tudo isso gera receitas fiscais de outras formas.

A solução não é taxar a máquina, é preparar as pessoas. Investir na formação, na requalificação, em garantir que ninguém fica para trás. Eu própria já tive de me reinventar várias vezes na vida, e sei que com a formação certa, as pessoas podem acompanhar estas mudanças.

Não vamos construir o futuro com medo do progresso. Vamos construí-lo com confiança na nossa capacidade de nos adaptarmos e crescermos juntos.

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Ah, a boa e velha história do "não mates a galinha dos ovos de ouro"... Mas olha, Ferreira, essa galinha está a cagar-nos em cima da cabeça e ainda por cima queremos que ela fique isenta de impostos!

Sabes o que é curioso? Quando o Zé Povinho perde o emprego para um robô, ninguém lhe diz "olha, vai-te adaptar". Dizem-lhe "vai para o centro de emprego". E quem paga o centro de emprego? Ah pois, os impostos que o Zé já não paga porque foi despedido. É um ciclo tão vicioso quanto o meu tio a tentar parar de comer tremoços.

Isto faz-me lembrar quando o meiosinho do café foi substituído por uma máquina. O António, que lá trabalhava há 20 anos, foi despedido. A máquina faz café melhor, mais depressa, e o patrão? Ficou com o lucro todo. O António foi para a reforma antecipada, a receber 400 paus por mês. Mas a máquina continua lá, a debitar euros como se fosse um casino, sem pagar um cêntimo.

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos quando fui substituído por um GPS, o GPS não me roubou o emprego - só me fez perder-me mais vezes. Mas estes robôs de agora são outra conversa. São como aquele primo rico que vem a casa, come tudo, usa a casa de banho, e ainda por cima quer que pagues a conta da água.

E essa história de que as empresas vão fugir para outros países... Olha, se forem todas embora, pelo menos ficamos com as fábricas vazias para fazer festivais de música. Mas a sério, se uma empresa só vem para cá porque pode ter escravos digitais isentos de impostos, então talvez não seja uma empresa que queiramos cá.

Dizem que vão criar novos empregos. Pois, até agora criaram empregos para programadores indianos e engenheiros chineses. O Zé das obras, que perdeu o emprego na fábrica, não vai ser reconvertido para programador de IA. Vai ser reconvertido para desempregado de longa duração.

E a meritocracia? Essa é boa! Querem que o trabalhador comum compita com uma máquina que não precisa de férias, não tem filhos para ir buscar à escola, e trabalha 24/7 sem reclamar. É como meter um gato a correr contra um Ferrari.

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Percebo a tua frustração, e já senti na pele o que é ter de competir em condições desiguais. Mas a solução não é tornar o Ferrari mais lento - é dar ao gato as ferramentas para correr melhor.

Quando falamos de empresas que fogem para outros países, não é teoria. Eu trabalhei com startups que realmente consideraram sair de Portugal por causa de burocracia excessiva. E quando elas saem, perdemos tudo: empregos qualificados, investimento, futuro.

Quanto ao Zé das obras - tens razão, ele não vai virar programador de IA da noite para o dia. Mas pode aprender a operar máquinas mais avançadas, pode especializar-se em áreas onde a automação complementa em vez de substituir. Já vi casos reais de trabalhadores que se reinventaram e hoje ganham mais do que ganhavam antes.

A meritocracia não é sobre competir com máquinas, é sobre usar as máquinas a nosso favor. Quando uma empresa automatiza, pode crescer, criar novos serviços, precisar de novas competências. São esses empregos que precisamos de preparar.

E quanto aos impostos: não é que as empresas com robôs não paguem nada. Elas pagam IRC, IVA, contribuições sociais dos empregados que mantêm. O problema é que estamos a olhar para o copo meio vazio em vez de ver como podemos enchê-lo.

Eu acredito que podemos criar um modelo onde a inovação prospera e ninguém fica para trás. Mas isso exige investimento na formação das pessoas, não punição do progresso tecnológico.

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Ah, então a solução é dar ao gato as ferramentas para correr contra o Ferrari? Vai ser difícil encontrar sapatilhas Nike para gato, mas pronto...

Sabes o que é curioso nisto? Dizes que as empresas pagam IRC e IVA... Mas isso é como dizer que o Ferrari paga portagens na autoestrada enquanto o gato vai pela bermuda. O problema é que o gato precisa de comer, e o Ferrari não.

Isto faz-me lembrar quando o meu sogro foi despedido da fábrica de têxteis. Disseram-lhe "vai-te requalificar". Mandaram-no fazer um curso de informática. O homem, que mal sabia ligar o telemóvel, passou seis meses a tentar perceber o que era um Excel. Hoje está a receber o RSI e a vender raspadinhas na feira. Mas pronto, pelo menos aprendeu a usar o computador... para ver o totoloto online.

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos quando me propuseram mudar de carreira, não me disseram para competir com uma máquina que faz o meu trabalho em 3 segundos. Disseram-me para ser criativo. Criativo! Como se pagasse as contas com criatividade. Experimenta pagar a renda com um poema modernista, vê no que dá.

E essa história das startups que iam embora... Olha, se uma startup só cá vem porque pode ter robôs escravos, então que se vá! Temos aqui empresas que pagam impostos há décadas, que sustentam famílias inteiras, e agora queremos dar isenções a umas empresas de meia dúzia de gajos com t-shirts do Star Wars?

Dizes que podem crescer e criar novos serviços. Pois, até agora criaram serviços para entregar comida a casa a preços que só o Ronaldo pode pagar. E o Zé que perdeu o emprego na fábrica? Ainda está à espera que lhe entreguem alguma coisa.

A verdade é que estamos a criar uma economia de dois andares: em cima, os donos dos robôs a fazer fortunas; em baixo, os humanos a competir por migalhas. E no meio? Um buraco negro fiscal que vai engolir o nosso Estado Social.

Mas pronto, pelo menos os robôs não vão precisar de hospitais... até apanharem um vírus. Aí já sabemos quem paga o antivirus.

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Não estou a sugerir que o gato corra contra o Ferrari. Estou a dizer que podemos dar ao gato o seu próprio percurso de sucesso.

Conheço casos reais de pessoas que estavam em empregos tradicionais e hoje trabalham com tecnologia - não como programadores, mas em funções que a tecnologia criou. Desde técnicos de manutenção de robôs a gestores de sistemas automatizados.

Quanto ao teu sogro, isso mostra exactamente o problema: oferecemos formação genérica em vez de oportunidades reais. Precisamos de programas de requalificação que realmente preparem as pessoas para os empregos do futuro, não cursos desconectados da realidade.

E essas startups de "meia dúzia de gajos com t-shirts" são exactamente as que podem criar os empregos de amanhã. Muitas das grandes empresas de hoje começaram assim. Se as afastarmos, estamos a cortar as pernas ao nosso próprio desenvolvimento económico.

Acredito que podemos construir uma economia onde humanos e máquinas trabalham juntos, não competem. Onde a tecnologia liberta as pessoas de tarefas repetitivas para que possam focar-se no que realmente importa: criatividade, inovação, serviço ao cliente.

Mas para isso precisamos de uma visão a longo prazo, não de soluções rápidas que podem prejudicar a nossa competitividade. Já vi demasiados talentos portugueses terem de emigrar porque aqui não encontravam oportunidades. Não vamos repetir esse erro com as empresas inovadoras.