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As redes sociais promovem uma identidade global em detrimento das identidades nacionais?

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Sabes o que é curioso? Ontem estava a ver um miúdo de 8 anos no café, e o gajo estava a fazer um TikTok com a música daquela coreana que nem sei o nome. Perguntei-lhe se sabia cantar o hino nacional. Olhou para mim como se eu tivesse três cabeças. "Isso é coisa de velhos", disse ele. Velhos! Eu tenho 40 e poucos, caralho!

Isto faz-me lembrar quando a minha avó vinha da aldeia e trazia broas de milho. Hoje em dia as crianças querem é donuts do Starbucks. É tudo igual, de todo o lado. Um gajo no Bangladesh come a mesma merda que um gajo em Lisboa. E depois queixam-se que não há identidade...

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos sei onde fica Vila Pouca de Aguiar sem ter de abrir o Google Maps. As redes sociais transformaram-nos todos em clones do mesmo estereótipo americano. Todos com os mesmos filtros, as mesmas poses, as mesmas frases de merda em inglês. "Living my best life" - vives a tua melhor vida onde, caralho? No café da tua terra onde pagas 60 cêntimos pelo espresso?

É tão absurdo quanto tentar explicar ao meu filho o que é o 25 de Abril e ele me dizer "isso não dá likes nenhum pai". As nossas tradições, as nossas músicas, até a forma como falamos - tudo está a desaparecer no mar de conteúdo global. E o pior é que achamos graça quando um americano tenta dizer "Bom dia" e estraga completamente, mas depois imitamos o sotaque deles como se fosse cool.

A cultura tornou-se um McDonald's. Entras em qualquer parte do mundo e encontras o mesmo menu. E depois queixam-se que as pessoas não se sentem em casa em lado nenhum. Pois claro, se a tua casa é igual à de um gajo na Coreia do Sul, como é que vais sentir pertença?

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Eu entendo o que você tá dizendo, mas acho que tem um outro lado nessa história. As redes sociais não são só uma vitrine pra cultura global não. Elas também dão voz pras culturas locais de um jeito que nunca aconteceu antes.

Pensa comigo: eu sou do Rio e tô sempre mostrando nossa cultura nas minhas redes. Mostro funk, samba, comidas típicas, gírias... E sabe o que acontece? Tem gente do mundo todo curtindo e se interessando por isso! Inclusive, muita gente do Brasil mesmo que nem sabia da riqueza da nossa cultura acaba descobrindo através das redes.

Tem uma galera nova que tá usando TikTok e Instagram pra mostrar danças folclóricas, receitas tradicionais, músicas regionais... Tudo isso ganha espaço e visibilidade. Eu vejo muito artista nordestino bombando nas redes mostrando sua cultura autêntica, por exemplo.

E outra: as comunidades online ajudam quem tá longe de casa a se conectar com suas raízes. Tem brasileiro no Japão fazendo grupo de samba online, cearense na Europa ensinando receita de baião de dois... É como se as redes sociais tivessem criado um jeito novo de preservar e fortalecer nossas identidades locais em vez de só apagar elas.

O importante é saber usar essas ferramentas a nosso favor. A gente pode ser global sem perder nossa essência local. Aliás, acho que essa mistura é que tá criando uma nova forma de ser brasileiro no mundo, bem mais rica e diversa.

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Ó Anitta, isso é tão bonito que até me deu vontade de chorar... masinho. Mas deixa-me dizer-te uma coisa: mostrar funk no Instagram é como mostrar um Ferrari no stand - é marketing, querida.

Sabes o que é que realmente acontece? Aquela tua dança do funk que tu achas que tá a "globalizar a cultura brasileira" daqui a 3 meses tá a ser usada por uma influencer sueca para vender pasta de dentes. E o pior? Os suecos acham que é "dança do TikTok", nem sabem que vem do Rio.

Isto faz-me lembrar quando o meu primo foi para Londres e meteu-se num grupo de "portugueses no estrados". Achavam que estavam a preservar a cultura. Sabe o que faziam? Postavam fotos de bacalhau com o filtro da bandeira de Portugal. É isto que chamas preservar identidade? É como dizer que comer uma francesinha no Porto é manter tradições...

E esses artistas nordestinos que falas? Pois é, quando começam a bombar nas redes, o que acontece? A gravadora chega lá e manda gravar em inglês "pra ter mais alcance". Vi isto acontecer com um gajo que tocava sanfona linda, agora tá a fazer música eletrónica com "pitadinha de forró". Uma pitadinha! É como pôr piri-piri numa francesinha - não é a mesma coisa!

Não estou a dizer que tu fazes isto de propósito, mas as redes sociais são como aquela tia que vai visitar e no fim de 5 minutos já mudou tudo na tua casa "pra ficar mais moderno". As nossas culturas locais tornam-se conteúdo, não cultura. É tudo muito bonito até alguém perguntar "mas quanto é que isso dá em views?"

E os grupos de brasileiros no Japão a fazer samba? Pois é, mas estão a fazer samba pra gringo ver, não pro Brasil. É samba light, sem a alma do morro. É como aquele churrasco que os tugas fazem - tem sabor, mas não tem alma.

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Raminhos, eu entendo sua preocupação, mas acho que você tá vendo só um lado da moeda. Claro que tem essa apropriação, claro que tem gente que transforma tudo em commodity... mas me diz uma coisa: isso é culpa das redes sociais ou é algo que sempre aconteceu?

Olha, eu venho do funk, que era marginalizado no Brasil por muito tempo. As pessoas tinham vergonha de assumir que gostavam. Hoje, graças às redes, ele virou patrimônio cultural reconhecido. Sim, pode ser que uma sueca use passinhos pra vender pasta de dente - mas também tem meninas na periferia ganhando dinheiro como dançarinas e produtoras porque aprenderam tudo online!

E sobre os artistas nordestinos: sim, tem quem mude pra inglês, mas também tem banda que tá mostrando o autêntico pros brasileiros que nem conheciam! Antes as pessoas só ouviam forró estilizado, agora descobriram o pé-de-serra original porque viram nas redes.

Você fala dos grupos de samba no Japão como se fosse algo menor... mas sabe o que é mais importante? Eles tão criando raízes pra próxima geração! Meus primos japoneses que nunca vieram pro Brasil agora sabem o que é samba porque seus pais compartilham nas redes. Não é "samba light", é adaptação!

A questão é: não dá pra ficar preso nessa ideia de que cultura tem que ser estática. Ela sempre foi dinâmica! O problema não são as redes sociais - é como a gente decide usá-las. Podemos deixar nossa identidade local se perder ou podemos fortalecê-la através delas. A escolha é nossa!

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Anitta, minha querida, tu és tão otimista que até dá vontade de te dar um abraço... mas depois lembro-me que és do Rio e já tens abraços demais.

Olha, deixa-me contar-te uma coisa que vi no outro dia. Estava no supermercado e ouvi um miúdo de 10 anos a dizer à mãe: "Mãe, compra esta bolacha que vi no TikTok daquela influencer americana". A bolacha era portuguesa, mas o gajo nem sabia. Achava que era "americana" porque vinha numa embalagem com bandeira dos EUA. Isto é o que as redes fazem - transformam até a nossa bolacha Maria em produto importado!

Sobre o funk virar património cultural... pois é, mas qual funk? O funk das tuas origens ou o funk que agora tem backing track de música eletrónica e coreografia coreana? É como dizer que o fado virou património mundial porque o Ronaldo partilhou uma música no Instagram. O fado continua lá, mas agora tem de ter beat drop no meio "pra agradar ao público internacional".

E essa história das meninas da periferia a ganhar dinheiro... tudo bem, ganham dinheiro. Mas ganham a fazer o quê? A dançar funk ou a dançar "funk adaptado ao mercado global"? É como aqueles pastéis de nata que vendem em Londres - têm sabor a pastéis de nata, mas são quadrados e vêm numa caixa da Starbucks. É a nossa cultura, mas não é a nossa cultura.

Sobre o samba no Japão... olha, eu cá acho que se o meu avô visse o que se chama "samba" lá fora, mandava vir o cavaquinho e partia tudo. Samba não é só ritmo, é história, é resistência, é suor do morro. Tu não podes embalar isso num vídeo de 30 segundos e dizer que estás a preservar cultura. É como dizer que comer sushi no Pingo Doce é experimentar cultura japonesa.

A cultura nunca foi estática, concordo. Mas também nunca foi tão líquida como agora. Antes mudava devagar, deixava marcas. Agora muda de hora a hora e deixa... likes.

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Raminhos, você fala como se a cultura fosse um objeto de museu que tem que ser preservado exatamente do jeito que era. Mas cultura é viva! Sempre foi e sempre vai ser!

Olha, eu sou do morro, tô cheia de marcas daquela realidade. E sabe o que eu vejo? As meninas da periferia hoje têm mais chance de mostrar seu talento porque as redes sociais abriram essa porta! Sim, pode ter backing track, pode ter influência coreana... mas quem disse que isso invalida a essência do funk? A gente não precisa escolher entre ser global e ser local!

Você reclama da bolacha Maria com bandeira dos EUA, mas esquece que os próprios portugueses descobriram o mundo inteiro antes dessa "americanização" toda! Cultura sempre foi sobre troca! O problema não é misturar - é perder a consciência de onde você vem.

E sobre o samba... olha, eu não vou entrar nessa de "meu samba é mais puro que o seu". O samba já foi marginalizado no Brasil, lembra? Hoje ele tá em todos os cantos, até no Japão! Pode ser diferente do que seu avô dançava, mas ainda carrega a alma do povo brasileiro. Não dá pra dizer que é menos válido só porque é adaptado!

Essa história de que tudo virou likes... bom, talvez o problema não seja a ferramenta, mas como a gente usa ela. Eu vejo muita gente usando as redes pra manter suas raízes vivas, não pra apagá-las! Tem molecada aprendendo capoeira online, compartilhando receitas das avós, ensinando expressões regionais...

O que eu acho é que você tá confundindo mudança com perda. Cultura não é estática, nunca foi! E as redes sociais tão mostrando justamente isso: que podemos ser globais sem deixar de ser locais. Podemos inovar sem perder nossa essência. É uma questão de atitude, não de tecnologia!