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A vigilância em massa pelo Estado é um mal necessário para a segurança?

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Sabes o que é curioso? Lembro-me quando a minha vizurda da 3º esquerda, aquela que tem mais plantas do que amigos, me contou que tinha visto um tipo suspeito a rondar o prédio durante uma semana inteira. Eu, como bom cidadão que sou - não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos não deixo a louça na pia durante 3 dias - liguei para a polícia. Disseram-me que não podiam fazer nada sem provas. Uma semana depois, arrombaram-lhe a casa. Isto faz-me lembrar que se tivessem câmaras na rua, como aquelas que já existem em Londres há anos, talvez tivessem apanhado o gajo antes.

Agora, toda a gente fala de privacidade como se fosse um gelado que te roubam. Mas olha, prefiro que saibam que comprei cuecas na feira do que ter um gajo com um cinto de explosivos no metro onde vai o meu filho. É tão absurdo quanto dizer que não queres câmaras no supermercado porque tens medo que vejam que compras papel higiénico da marca branca.

E aquela vez que fui a Nova Iorque? Câmeras em todo o lado, até na sanita parecia. Mas sabe o que mais vi? Gente na Times Square a rir-se, a tirar selfies, sem medo. Porque quando tens vigilância, os malucos pensam duas vezes. É como ter um cão de guarda: pode ladrar às vezes sem motivo, mas ladroa nenhum entra.

Não estou a dizer que quero o Big Brother a ver quando é que mudo de cuecas. Mas entre ter um gajo a planear um ataque durante 6 meses no WhatsApp e a polícia o apanhar antes, ou ele conseguir fazer aquilo que fez na Boémia... epá, escolho as câmeras todos os dias da semana. E no domingo também, que é quando faço churrasco e não quero que ninguém me roube os entrecostos.

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Olha, eu entendo a preocupação com a segurança, mas vamos falar a verdade: abrir mão da privacidade não é solução, é um convite para abusos. Se o Estado pode vigiar tudo, quem vigia o Estado? A história já provou que poder sem limites sempre encontra maneira de se desviar.

Agora pensa comigo: câmeras até na sanita? Sério? Isso não é proteção, é paranoia. Não estou disposta a viver numa sociedade onde minha vida privada vira espetáculo público em nome de uma falsa sensação de segurança. Quantas vezes você já viu alguém sendo preso por causa dessas câmeras todas? O crime organizado continua firme e forte, enquanto o cidadão comum fica nu diante do sistema.

E essa história de "quem não deve não teme"? Me poupe! Todo mundo tem algo a esconder, nem que seja aquela conversa particular com seu psicólogo ou médico. Vigilância em massa não protege ninguém, só cria mais vulnerabilidade. Quer segurança? Invista em inteligência, em investigação qualificada, em policiamento comunitário. Fica fácil botar câmera e achar que resolveu o problema.

E convenhamos: se você precisa vigiar todo mundo para se sentir seguro, talvez o problema seja outro. Prostitutas, traficantes, artistas... todo mundo sabe que controle excessivo só empurra as coisas para debaixo do tapete. Eu prefiro correr o risco de ser assaltada a viver num estado policial onde meu direito à privacidade vale menos que papel higiênico usado.

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Isto faz-me lembrar quando a minha tia Zulmira dizia que não queria fechadura na casa dela porque "quem é honesto não precisa de trancas". Três dias depois levaram-lhe a televisão, o gato e até o bolo de chocolate que estava na mesa. Honestidade é fixe, mas não pára ladrões.

Agora, essa conversa de "quem vigia o Estado" é bonita, mas olha... sabes o que é mais fácil de vigiar? Um terrorista que está a planear explodir uma estação de metro. É tipo escolher entre ter um vizgado que repara quando trazes encomendas estranhas ou ter um gajo a meter bombas no teu prédio porque ninguém viu ele a comprar 50kg de fertilizante sem ter horta.

E essa história de "todo mundo tem algo a esconder"... epá, eu também tenho! Tenho vergonha das minhas cuecas furadas, mas prefiro que saibam disso do que me apanharem em pedaços num atentado. É tão absurdo quanto dizer que não queres câmeras no hospital porque tens medo que vejam a tua barriga.

Quanto ao crime organizado continuar firme... claro que continua! Mas não é por causa das câmeras, é porque ainda temos juízes a soltar gente com 47 processos. É como dizer que o antibiótico não funciona porque tomaste só meio comprimido.

E olha, aqui vai uma: a minha vizinha da frente, aquela que tem 83 anos, sente-se segura porque tem uma câmera na entrada do prédio. Antes tinha medo de sair à noite. Agora vai buscar pão às 22h sem problemas. Isso não é paranoia, é avó feliz.

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Ah, mas sua tia Zulmira não estava errada só na teoria, estava errada na prática também! A questão não é abrir mão de tudo em nome da segurança. Eu moro no Vidigal, sabia? Lá a gente aprende que segurança não vem de câmeras, vem de comunidade, de confiança e de estar junto.

Olha, terrorista planejando atentado todo mundo quer pegar, concordo. Mas me diz: quantos terroristas foram pegos por causa de vigilância em massa no Brasil? Praticamente nenhum! O que acontece é que você dá poder demais na mão de quem não deveria ter tanto controle sobre nossas vidas.

E essa história de "avó feliz" com câmera... Bom, se isso faz ela se sentir melhor, ótimo. Mas o que acontece quando aquela câmera filma ela no banheiro do prédio porque alguém hackeou o sistema? Ou quando gravam ela naquela consulta médica delicada? Aí a avó feliz vira avó vulnerável.

Você tá preocupado com 50kg de fertilizante, mas esquece que esses mesmos sistemas que deveriam vigiar terroristas acabam vigiando manifestantes, ativistas, artistas... Já pensou ser preso porque curtiram um meme seu ao lado de uma bandeira vermelha? Parece paranoia, mas já aconteceu!

No fim das contas, segurança não pode ser desculpa para transformar todo mundo em suspeito. É como tirar roupa de todo mundo pra garantir que ninguém está escondendo nada. Simplesmente não funciona assim.

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Ó Anitta, o Vidigal ensinou-te muita coisa, mas não te ensinou que confiança não páta bombas. Lembro-me quando o meu primo foi ao Rock in Rio, estava tão confiante na comunidade que nem reparou no saco esquecido ao lado. Sorte foi ter câmeras, senão hoje não tinha pernas para dançar.

Essa conversa de "quase nenhum terrorista" é como dizer que o cinto de segurança não serve porque na tua rua nunca morreu ninguém. Sabe quantos planos foram desmantelados antes de acontecerem? É que não fazem novela sobre o atentado que não aconteceu. É tipo aproveitar que não tens cáries para deixar de escovar os dentes.

Agora, essa do hackeamento... epá, o meu banco já foi hackeado três vezes e ainda assim lá está o meu dinheirinho. Não é por ter medo que o gajo do costume me roube o cartão que deixo de ter conta bancária. É tão absurdo quanto não ter telemóvel porque pode tocar-te uma scammer.

E essa de manifestantes serem vigiados... olha, quando fui à manifestação dos professores, estava tão preocupado em não levar porrada da polícia que nem reparei nas câmeras. Mas sabe o que reparei? Que ninguém queimou carros porque sabia que estava a ser filmado. Às vezes o medo de ser apanhado é melhor que mil discursos de paz.

No fim das contas, prefiro ser "suspeito" num mundo onde posso ir ao shopping sem medo, do que "inocente" num mundo onde tenho de olhar para cada mochila esquecida. É como escolher entre ter um cão que ladra às vezes sem motivo ou ter um ladrão que entra sempre que quer.

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Ah, mas eu não tô dizendo pra gente viver numa ilha de confiança cega, tá? O que eu digo é que segurança não pode vir na base do "vigia tudo, todo mundo". Isso é como querer emagrecer só com Photoshop - resolve na superfície, mas não muda a realidade.

Olha, teu primo no Rock in Rio foi salvo por sorte, não pela câmera. Quantas vezes essas mesmas câmeras falharam? Lembra da boate Kiss? Tinha câmera lá? Tinha. Evitou o quê? Nada! Porque segurança eficiente vem de gente preparada, não de lentes espalhadas.

E essa história de "ninguém queimou carro porque sabia que tava sendo filmado"? Me poupe! Já vi protesto pacífico virar pancadaria mesmo com câmera filmando tudinho. Sabe por quê? Porque quem quer bater não tá nem aí pras câmeras, e quem tá quietinho acaba levando a culpa na mesma.

Você fala do banco hackeado, mas esquece que quando roubam seu dinheiro, você pode pedir ressarcimento. E quando roubam sua privacidade? Vai pedir pra devolverem suas conversas íntimas? Suas fotos pessoais? Seu direito de ser você sem ser vigiado?

No fim, é simples: ou a gente controla a tecnologia, ou ela controla a gente. E eu prefiro correr o risco de ter minha bolsa roubada a viver num reality show 24 horas por dia, onde até meu WhatsApp tá sendo bisbilhotado. É como dizem: quem troca liberdade por segurança não merece nenhum dos dois.