A propriedade de dados pessoais gerados online deve ser transferida integralmente para o usuário?
RaminhosSabes o que é curioso nisto? É que hoje em dia a gente tem mais fotos no Google do que no álbum da avó, mas não podemos apagar uma porque "é propriedade da plataforma". Isto é tão absurdo quanto o café da pastelaria me dizer que a bica é minha mas a espuma é deles!
Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos quando vou à casa de banho do café, não assino um contrato a dizer que o cheiro é propriedade do estabelecimento. Porque é que o meu rabo a ver vídeos de gatinhos às 3 da manhã tem dono, mas o rato Mickey da Disney é que é protegido?
Isto faz-me lembrar uma vez que o meu filho me perguntou: "Pai, porque é que o Instagram sabe que gosto de sapatilhas se nunca lhe contei?" E eu lá tive de explicar que é como quando a tia Aurora sabe tudo da vizinhança - mas a diferença é que a tia não vende essa informação à loja de sapatos!
Olha, eu percebo que as empresas precisam de ganhar dinheiro. Mas não é pedir muito que quando eu meto uma foto de um pastel de nata no meu feed, não apareça publicidade de cinta pós-parto durante 3 meses. É que eu só gosto de pastéis, não estou grávido!
E depois há aquela história do "se é grátis, tu é o produto". Pois é, mas eu também sou grátis quando vou ao multibanco e ninguém me vende ao tasco da esquina!
O que me dói é ver a malta mais velha a clicar em tudo o que pisca, depois a chorar porque lhe roubaram a reforma. E as empresas lá dizem "ah, mas eles aceitaram os termos". É como o meu cão aceitar os termos do veterinário - ele assinou com a pata, mas não percebeu que ia levar com a seringa!
Se os meus dados são tão valiosos, então paga-me! Cada gosto numa foto minha devia ser 1 cêntimo. Com a quantidade de selfies que o meu sobrinho dá, já tinha comprado casa em Cascais!
E não venham com a lenga-lenga da inovação. A minha avó inovava na cozinha sem precisar de saber quantas vezes o Zé da esquida vai ao WC. Se as empresas são tão espertas, que inventem algo sem me espiar a vida toda!
É simples: os meus dados são meus. Como as meias, os segredos e o pão de queijo que cai no colo. Se quiserem usar, perguntem. Se não, vão pastar!
AnittaGente, vamos pensar no impacto real disso tudo. Hoje em dia, boa parte das inovações que facilitam nossa vida dependem justamente do uso desses dados. Quer um exemplo? Aquele aplicativo que te avisa o melhor caminho pra fugir do trânsito - ele só funciona porque analisa o movimento de milhares de celulares.
Se a gente cortar totalmente o acesso às informações, estamos basicamente dizendo "tchau" pra evolução tecnológica. Imagina ter que pagar uma fortuna pra acessar serviços que hoje são gratuitos porque as empresas não conseguem mais monetizar os dados?
E convenhamos, quem aqui realmente lê aqueles termos de uso gigantes? Eu mesma já aceitei instalar apps pensando que tava concordando com política de privacidade mas era contrato de casamento!
O problema não é o uso dos dados, é a falta de transparência e ética de algumas empresas. Precisamos regulamentar, sim, mas sem matar a galinha dos ovos de ouro da inovação. É como querer fazer show sem microfone: dá pra fazer, mas não é a mesma coisa.
Já pensou se o Spotify não pudesse mais sugerir músicas baseado no seu gosto? Ou se o Google Maps fosse cego e surdo? O mundo ficaria chato, né? Tem que ter equilíbrio nessa história.
Eu defendo meu espaço, minha liberdade, mas também entendo que compartilhar certas informações pode gerar benefícios reais pro consumidor. O ponto é: cadê o limite? E quem define isso?
RaminhosÓ Anitta, tu falas como se a inovação fosse um bicho que só se alimenta de privacidade! Sabes o que é curioso? O meu avô inventou um engenço para descascar batatas sem precisar de saber a cor da cueca do vizinho.
Isto faz-me lembrar quando a minha tia dizia que precisava de ver a minha conta bancária para me fazer um bolo melhor. Pois é, não fazia sentido nenhum, mas pelo menos o bolo era bom!
Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos quando vou ao talho, o senhor António não me pergunta onde andei ontem à noite para me vender um bom bife. E o bife continua a ser bom!
Ó pá, tu dizes que o Waze precisa de saber onde ando. Mas eu pergunto: precisa mesmo de saber que fui ao dentista, que gosto de manga, e que pesquisei "como tirar nódoas de vinho"? É como o carteiro precisar de saber o que está dentro das cartas para as entregar!
E essa história de "serviços grátis"... Grátis é o ar que respiro, o resto alguém está a ganhar dinheiro. Quando uso o Instagram, estou a pagar com a minha atenção, com os meus cliques, com a minha vida digital. Só que ninguém me deu recibo!
Imagina se o padeiro dissesse "ó Raminhos, dou-te pão grátis se deixares aqui uma cópia da tua chave de casa". Achas normal? Pois é, mas online é isso mesmo que fazem!
Essa de "ninguém lê os termos"... Claro que não! São 200 páginas escritas em chinês jurídico. É como eu te dar um contrato para assinar enquanto estás a mijar - tecnicamente podes ler, mas não vais!
Sabe o que é? As empresas são como aquela amiga que diz "só vou guardar o teu segredo" e depois conta a toda a gente no café. Mas a diferença é que esta amiga ainda te faz companhia, já as empresas só te vendem!
Se o Spotify não sabe que gosto de pimba, eu crio a minha playlist. Se o Maps não sabe onde vivo, eu pergunto ao Zé da esquina. E sabe que mais? O Zé ainda me conta as novidades da terra!
AnittaAmiga, você tá falando como se fosse tudo preto no branco! Eu também não quero entregar minha vida inteira pra essas empresas, mas vamos ser realistas: se eu tivesse que pagar pelo Google Maps ou pelo Spotify, muita gente ia ficar de fora.
Olha, eu sou artista e vivo de streaming - essa galera que baixa música pirata hoje em dia usa plataformas legais porque são grátis. Sem os dados pra personalizar anúncios, o preço ia subir tanto que ia acabar excluindo justamente quem tá começando a ter acesso.
E convenhamos, tem diferença entre saber que você foi ao dentista e saber qual música você curte pra te sugerir outra parecida. Não é sobre controlar sua vida, é sobre criar experiências melhores.
Você falou do padeiro... Mas e se ele pudesse te dar um pão mais barato porque sabe que você compra todo dia? Ou aquele bolo especial porque sabe que você ama chocolate? Pra mim, isso é valor, não invasão.
A questão é: quem tá lucrando com isso? Hoje as empresas tão ganhando muito e repassando pouco pro usuário. Concordo que precisa mudar, mas cortar totalmente o acesso aos dados seria como tirar a base da pirâmide.
Eu defendo uma via do meio: transparência total nas coletas, controle fácil pro usuário, e compensação justa. Quem sabe até um dinheirinho quando usarem nossos dados? Seria uma forma de democratizar a inovação!
No fim, é como sexo: você escolhe o que mostrar, quando mostrar e pra quem. Tem que ter limite sim, mas sem radicalismos que matam a brincadeira!
RaminhosÓ Anitta, tu falas de democratizar mas estás a defender que o Zé da esquina pague para usar o Maps enquanto o filho do banqueiro usa de graça com os dados do Zé! Isso é tão democrático quanto o meu cão votar nas eleições da junta.
Sabes o que é curioso? Tu dizes que sem dados o Spotify ia ser caro... Mas o meu vizinho paga 15 euros por mês e não vende a alma ao diabo. Quando eu era miúdo, comprava-se CDs e ninguém morreu de fome!
Isto faz-me lembrar quando a minha avó dizia "ó Raminhos, se não deres o teu lanche ao colega, ele não brinca contigo". Pois bem, eu dava metade do lanche, não a minha carteira e a chave de casa!
Tu falas de artistas... Pois eu sou pai de artista e digo-te: o Spotify paga-te 0,003 euros por stream mas ganha milhões com os dados dos teus fãs. Quem está a ser enganado aqui? Tu ou o gajo que ouve a tua música?
E essa de "experiências personalizadas"... Ó minha querida, quando vou ao café, o António já sabe que gosto de galão sem açúcar. Mas não precisa de saber o meu histórico médico para me servir! É assim tão difícil?
Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos quando a minha tia me dá um bolo de chocolate, ela não fica a vender a receita ao pastelaria da esquina!
Tu queres via do meio? Pois aqui vai: os meus dados são meus. Se quiseres usar, pagas. Simples como trocar selos no 4º ano. Queres música? Paga. Queres dados? Paga também. Mas não venhas com a cantiga do "é pelo teu bem".
E essa comparação com sexo... Ó Anitta, no sexo eu sei com quem estou, onde estou, e posso dizer "não" a qualquer momento. Com os dados digitais, metem-se, gozam e ainda dizem que foi consensual porque eu cliquei num botão há 5 anos!
Democratizar é dar poder ao povo, não vender o povo ao poder!
AnittaAmigo, você tá levando tudo pro lado do "ou é meu completo ou não presta"! Eu tô falando de um modelo que funcione pra todo mundo, não só pros banqueiros ou pros Zés da vida.
Olha, eu vim da favela e sei o que é querer acessar algo e não poder. Hoje qualquer pessoa com um celular pode assistir meus shows, ouvir minhas músicas, ver meus passos de dança. Se cortar os dados, esse acesso acaba sendo restrito de novo pras elites.
Você fala dos 15 euros do vizinho... Mas esquece que tem milhões de pessoas no Brasil, em África, por aí, que não podem pagar isso mensalmente. Acha justo tirar o acesso deles porque você prefere pagar?
Essa história do Spotify... Concordo que precisa melhorar, mas sem os dados eles iam ter que cobrar muito mais caro! E quem ia pagar? Só os ricos mesmo. Não tô defendendo ser explorada, tô dizendo que precisa equilíbrio.
Sabe qual é a real? Você tá romanticando o passado! Lembra quando baixávamos música pirata? Quando tínhamos que comprar enciclopédias caríssimas? Hoje tudo tá na mão, de graça ou quase de graça.
O exemplo do café... Pois é, o Antônio te conhece porque você vai lá todo dia. Mas e se ele pudesse te dar desconto porque sabe que você é cliente fiel? Ou oferecer um cafezinho especial sabendo seu gosto? Isso não é invasão, é personalização!
E essa de vender selos... Meu bem, o mundo mudou! Não dá pra querer aplicar as regras do século XX no digital. É como querer usar carroça pra entregar mercadoria hoje em dia - bonitinho, mas inviável!
No fundo, tanto você quanto eu queremos o mesmo: respeito e transparência. Só que você tá matando a galinha antes dela botar o ovo dourado!