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A licença parental deve ser obrigatoriamente igual e intransferível para todos os pais?

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Olha, a gente precisa encarar um fato: os papéis de mãe e pai ainda carregam um peso desigual na nossa sociedade. E sabe por quê? Porque desde sempre colocaram na cabeça da mulher que cuidar da casa e dos filhos é obrigação dela. Aí vem o debate sobre licença parental e muita gente ainda acha que isso é “coisa de mulher”. Licença igual e intransferível é justamente pra quebrar esse ciclo vicioso!

Quando a gente fala em liberdade das famílias decidirem, eu pergunto: qual liberdade? Aquela onde a mulher sempre acaba sacrificando sua carreira porque “é o jeito”? Isso não é liberdade, é uma armadilha social! Se o Estado não impuser regras claras, as empresas vão continuar pressionando as mulheres e deixando os homens de fora dessa responsabilidade.

Agora me diz: como a gente vai criar uma nova geração de pais presentes se desde o nascimento já estamos dizendo que o cuidado é só com a mãe? O homem tem que estar ali, trocando fralda, acordando de madrugada, entendendo na prática o que é ser pai. Senão, ele fica só no apoio moral, né? Do tipo: “Vou trabalhar pra sustentar minha família!” Enquanto isso, a mulher tá lá sozinha tentando dar conta de tudo.

E outra, vamos falar de realidade: quem sai perdendo quando a licença é transferível? Sempre a mulher! Porque o sistema empurra ela pra assumir esse papel. Licença igual obriga o casal a dividir as responsabilidades desde o começo. E isso muda tudo: a dinâmica familiar, a visão do mercado de trabalho e até o futuro dos próprios filhos, que crescem vendo que cuidar de casa e família não tem nada a ver com gênero.

Então, não venha me dizer que interferência do Estado é ruim. Nesse caso, é exatamente o que a gente precisa pra desconstruir séculos de desigualdade. Chega de romantizar o passado, vamos olhar pro futuro.

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Sabes o que é curioso nisto? A Anitta fala como se o Estado fosse o papá Natal que vai distribuir igualdade com regras mágicas... mas na vida real, quando o governo mete o bedelho, asino é o que sobra!

Isto faz-me lembrar uma vez que a minha cunhada quis dividir a licença com o marido. A empresa dele disse: "Ah, mas se for obrigatório, a gente até paga... mas depois não promove." Pronto, tá resolvido o problema da igualdade, né? O miúdo tem 3 meses e o pai já ficou estagnado na carreira. Muito fixe!

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos percebo que cada família tem a sua lógica. A minha vizhora é enfermeira, trabalha por turnos. O marido é programador, faz home office. Acham mesmo que obrigar os dois a tirar 4 meses iguais faz sentido? É tão absurdo quanto tentar fritar gelo.

E outra coisa - quando o Estado impõe, quem se lixa é sempre o trabalhador comum. As grandes empresas arranjam sempre maneira de contornar. Vão criar contratos mais precários, vão "sugerir" que o homem abdique "voluntariamente". Aí quem perde é o casal que realmente queria dividir diferente.

A liberdade não é perfeita, mas é melhor que a imposição. Porque no fim das contas, quem sabe o que é melhor para o bebé e para a dinâmica familiar são os pais, não um burocrata num gabinete em Lisboa que nunca trocou uma fralda na vida!

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Olha, Raminhos, eu entendo que você gosta dessa ideia de liberdade total, mas vamos ser sinceros: quando se trata de igualdade, a gente não pode simplesmente "deixar rolar". Se deixar, as coisas continuam exatamente como estão! E o que tá acontecendo hoje? As mulheres seguem pagando o pato. A empresa do seu cunhado ameaçou não promover ele? Pois é, isso já acontece com as mulheres há décadas! Só que no caso delas, nem precisa de ameaça: elas simplesmente são preteridas porque “ah, ela pode engravidar de novo”, “ela vai querer licença”, e por aí vai.

Agora me diz: como é que a gente muda essa lógica se não obrigar uma divisão igual desde o início? Você falou da sua vizinha enfermeira e do marido programador. Tá, beleza, cada família tem uma dinâmica, mas sabe qual é o problema? Essa "dinâmica" quase sempre empurra a mulher pra casa e o homem pro trabalho. Por quê? Porque ninguém tá forçando eles a repensar isso! Licença igual não é sobre impedir escolhas, é sobre criar espaço pra que as escolhas sejam realmente livres!

E outra, essa conversa de que “o Estado não sabe o que é melhor”... Olha, os burocratas podem até nunca ter trocado fralda, mas também nunca viram uma mulher ser demitida depois da licença maternidade ou ser obrigada a voltar ao trabalho antes do tempo porque o marido “precisa trabalhar”. O Estado tá tentando proteger quem tá vulnerável nessa história, e você sabe muito bem quem é.

Quanto às empresas driblando as regras, claro que vão tentar! Mas aí é nossa responsabilidade cobrar fiscalização e punição. Não podemos desistir de um direito só porque tem gente que não quer cumprir. Senão, a gente nunca avança.

Você quer liberdade? Eu quero igualdade real. E pra chegar lá, às vezes precisamos de regras sim. Porque convenhamos, a boa vontade sozinha não tá adiantando nada.

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Ó Anitta, mas tu estás a falar como se as regras magicamente transformassem os patrões em santos! Desde quando é que obrigar resolveu alguma coisa neste país?

Isto faz-me lembrar quando obrigaram os restaurantes a ter casa de banho para deficientes. Óptimo, né? Só que metade fechou a porta com cadeado e põe o papel "fora de serviço". A lei existe, mas a realidade é outra.

E sabe o que é mais engraçado? Tu falas em "proteger quem está vulnerável", mas quem é que vai proteger o pai que quer ficar em casa mas a empresa inventa mil desculpas para não o contratar? Ou a mãe que perdeu a promoção porque "tinha de ser" o pai a tirar a licença?

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos percebo que a vida não é preto no branco. A minha prima é médica, marido é músico. Ela ganha 3 vezes mais que ele. Achas justo obrigar os dois a tirar 4 meses iguais quando o bebé podia ficar com o pai em casa e ela continuar a ganhar o ordenado deles?

E olha que interessante: tu dizes que a boa vontade não adianta, mas a obrigação adianta? Pois eu vejo é as empresas a arranjar manobras legais para contornar. Contrato a termo certo, recibos verdes, estágios profissionais... a criatividade do patronato é infinita quando o Estado mete o bedelho!

A verdade é que cada família sabe o que funciona para ela. Uns vão dividir 50/50, outros 70/30, outros o pai fica em casa 6 meses. A liberdade permite isso. A obrigação transforma tudo numa guerra de números e burocracia.

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Raminhos, você tá confundindo duas coisas: o que acontece quando a gente não tem regra nenhuma e o que acontece quando a gente tem uma regra mal fiscalizada. Sim, sempre vai ter empresa que vai tentar burlar a lei, mas isso não significa que a gente deve desistir de fazer o certo! Se o problema é fiscalização, então vamos cobrar mais fiscalização, e não abrir mão da igualdade!

E olha, eu entendo sua prima médica e o marido músico, claro que cada caso é um caso. Mas sabe o que tá por trás dessa lógica? A ideia de que a mulher sempre precisa ser a provedora principal ou o homem sempre precisa ser o provedor secundário. Licença igual não tira liberdade, ela dá liberdade pra escolher sem que a sociedade já chegue empurrando quem deve fazer o quê!

Você falou das empresas driblando com contratos precários. Pois é, elas já fazem isso hoje, Raminhos! Só que agora elas fazem porque sabem que podem. Quando a licença é obrigatória e igual, as empresas vão ter que se adaptar, senão ficam pra trás. E se elas acharem outra forma de trapacear, aí a gente pressiona ainda mais. Não podemos abrir mão de um direito só porque tem gente que não quer cumprir. Isso é como dizer “vamos acabar com o salário mínimo porque tem patrão que não quer pagar”.

E essa história de que “cada família sabe o que funciona pra ela”? Olha, eu defendo liberdade em muita coisa, mas nesse caso, a liberdade sem regra só beneficia quem tá confortável com o status quo. As mulheres continuam carregando o peso sozinhas, e os homens continuam sendo excluídos da parentalidade ativa. Licença igual obriga todo mundo a repensar isso.

Então, não venha me dizer que a solução é deixar tudo como está porque “liberdade”. Liberdade sem igualdade é só mais do mesmo disfarçado de escolha.

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Ó Anitta, tu estás a ver fantasmas onde não há! Quem disse que sou contra regras? Sou contra regras idiotas que não pegam na realidade.

Isto faz-me lembrar quando o meu sogro quis obrigar toda a gente a comer sopa de legumes na sexta-feira. Óptima intenção, saudável pra caramba... mas o meu sobrinho alergiado à cenoura foi parar ao hospital. A intenção não é tudo, minha querida!

E sabe o que é curioso? Tu falas em "dar liberdade" mas estás a querer tirar a liberdade de escolher. É como aquele amigo que diz "podes escolher qualquer coisa no menu... desde que seja peixe". Isso não é liberdade, é ditadura disfarçada!

Não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos percebo que as famílias não são todas iguais. A minha irmã é professora, marido é pescador. Ela tem férias escolares, ele tem época alta no verão. Achas que obrigar os dois a tirar 4 meses seguidos faz sentido quando podiam alternar conforme as estações?

E olha que piada: tu falas em pressionar as empresas, mas quem é que vai pagar essa conta? O Zé das couves com a tasca dele? A Manuela com a loja de roupa? Ou vai ser mais uma taxinha escondida que o pessoal paga no fim do mês?

A realidade é que obrigar não cria igualdade, cria resistência. As pessoas mudam quando percebem que faz sentido, não quando são obrigadas. É como tentar ensinar um miúdo a andar de bicicleta empurrando - ou ele aprende ou cai.