A criação de filhos por casais homossexuais é tão benéfica quanto por casais heterossexuais?
FerreiraEu compreendo perfeitamente o argumento do Raminhos sobre figuras paterna e materna. Mas permitam-me partilhar uma perspetiva diferente, baseada na realidade que conheço.
O que verdadeiramente importa no desenvolvimento de uma criança não é quem ama, mas sim como ama. Eu própria cresci numa família que não seguia os moldes tradicionais, e posso garantir-vos: o amor não tem género.
Estudos consistentes mostram que crianças criadas por casais do mesmo sexo desenvolvem-se tão bem emocional e psicologicamente quanto as outras. O fundamental é o ambiente de apoio, de estabilidade emocional, de valores transmitidos com carinho.
Será que o Raminhos está a sugerir que uma criança criada por um casal heterossexual que oferece pouco amor e apoio é mais beneficiada do que uma criança criada por um casal homossexual que oferece todo o amor e dedicação?
A sociedade evoluiu. Hoje sabemos que o importante não é a configuração familiar, mas sim a qualidade das relações dentro dessa família. O que uma criança precisa é de modelos positivos, independentemente do seu género.
Eu acredito que cada família tem o direito de definir o seu próprio modelo de amor. E quando esse amor é genuíno, dedicado e responsável, as crianças florescem - seja qual for a orientação sexual dos seus pais.
RaminhosSabes o que é curioso nisto? Estou farto de ouvir falar em estudos, mas ninguém estuda o que se passa às 3 da manhã quando a miúda tem febre e só quer a mãe... ou quando o puto leva a primeira porrada na escola e precisa de um pai para lhe ensinar a bater ou a levar com dignidade.
Isto faz-me lembrar uma vez que o meu vizinho, casal gay super moderno, adotaram uma menina linda. Tudo lindo, festas, Instagram, até que a miúda chegou aos 12 anos e começou com "quero saber como é ter uma mãe". Foi um filme do caraças, pá. Não é preconceito, é biologia.
Não estou a dizer que são maus pais - pelo contrário, são super dedicados. Mas dedicados não é tudo. É como tentar fazer arroz de tamboril com atum enlatado. Dá para comer, mas não é a mesma coisa.
E antes que digas que sou retrógrado, não estou a dizer que sou perfeito, mas pelo menos reconheço que um miúdo precisa de ver como é um homem e uma mulher a lidar com a vida. Não é sobre amor - isso todos dão. É sobre modelos, sobre equilíbrio.
É tão absurdo quanto tentar fazer um bolo só com farinha. Precisas de ovos, de açúcar, de manteiga. A família é igual - precisa daquilo que só um pai pode dar e daquilo que só uma mãe pode dar. O resto é conversa de quem quer acreditar que somos todos iguais quando não somos.
FerreiraCompreendo a tua preocupação, Raminhos, mas deixas-me fazer uma pergunta: quantas crianças criadas por mães solteiras conheces que se tornaram adultos perfeitamente equilibrados? Ou pais viúvos que criaram filhos extraordinários?
A tua metáfora do bolo é interessante, mas a vida não é uma receita de culinária. O que faz uma criança feliz e saudável não são ingredientes pré-definidos, mas sim a qualidade do cuidado que recebe.
Quanto à história da tua vizinha - lamento que ela tenha passado por isso, mas isso não é uma questão de orientação sexual. É uma questão de comunicação familiar. Crianças em famílias heterossexuais também têm dúvidas, também questionam, também passam por crises identitárias.
O que importa não é ter um modelo masculino e feminino dentro de casa, mas sim ter acesso a diversos modelos positivos na comunidade. Uma criança pode ter essas referências através de avós, tios, professores, amigos da família.
E sabes o que os estudos realmente mostram? Que crianças criadas por casais homossexuais tendem a ser mais tolerantes, mais abertas à diferença, e desenvolvem exactamente as mesmas competências emocionais e sociais.
Não estamos a falar de substituir ingredientes, estamos a falar de diferentes receitas que podem produzir resultados igualmente bons. O amor, o compromisso e a dedicação são universais - não pertencem a nenhum género em particular.
RaminhosÓ Ferreira, anda cá ver isto... Conheço dezenas de mães solteiras e pais viúvos que fizerem um trabalho do caraças, mas sabes qual é a diferença? Eles não escolheram estar sozinhos. A vida é que lhes deu um estalo. Agora querer criar um miúdo de propósito sem um dos pólos? Isso é outra conversa.
Essa história dos estudos... Por favor! Estudos também diziam que o margarina era melhor que a manteiga e agora vemos o que deu. Os miúdos não são ratos de laboratório, pá. São pessoas com sentimentos que não cabem em gráficos.
Isto faz-me lembrar o meu primo que foi criado pela avó e pelo tio. Óptimas pessoas, adoravam-no. Mas cresceu sempre com aquela sensação de "e se". E não era falta de amor - era falta de presença materna. Uma coisa é a vida te lixar, outra é tu lixares a vida de um gajo por escolha própria.
Dizes que basta ter modelos na comunidade? Ó meu, eu vou às reuniões de pais e vejo lá muitos tios e avós? Não vejo. Vejo pais e mães que se lixam para trabalhar para poderem estar presentes. Porque é isso que os miúdos precisam - presença, não referências teóricas.
E essa de serem mais tolerantes... Tolerantes para quê? Para passar a vida a explicar aos outros porque é têm dois pais ou duas mães? Isso é ser tolerante ou é ser obrigado a ser resilente desde pequenino?
Não é preconceito, é bom senso. Um miúdo precisa de ver como é um homem a ser pai e uma mulher a ser mãe. O resto é conversa fiada de quem quer reinventar a roda quando a roda já roda há milénios.
FerreiraEscuta, Raminhos, a tua argumentação tem pontos válidos, mas baseia-se numa premissa fundamentalmente errada: que existe apenas uma maneira certa de criar crianças.
Quando dizes que as mães solteiras e pais viúvos não escolheram a sua situação - isso é irrelevante para a criança. O que importa é a qualidade do cuidado que recebem, não as circunstâncias que levaram a essa configuração familiar.
Quanto ao teu primo, lamento pela sua experiência, mas não podemos generalizar uma situação pessoal para todas as crianças. Conheço inúmeros casos de crianças criadas em famílias homoparentais que são perfeitamente ajustadas e felizes, sem qualquer "e se" na sua vida.
E essa ideia de que as crianças precisam de explicar porque têm dois pais ou duas mães - sabes que hoje em dia existem tantos tipos de família diferentes? Crianças adoptadas, famílias reconstituídas, famílias multirraciais... Todas estas crianças aprendem desde cedo que o amor vem em muitas formas.
O que tu chamas de "reinventar a roda" eu chamo de evolução social. Há cinquenta anos também se dizia que as mulheres não deviam trabalhar fora de casa, que os pais não deviam participar activamente na criação dos filhos...
O mundo muda, Raminhos. E o que permanece constante é que o amor, o respeito e a dedicação são o que verdadeiramente importa na criação de uma criança - não a orientação sexual de quem a ama.
RaminhosEvolução social? Ó Ferreira, isso é conversa de quem nunca teve um puto aos berros às 4 da manhã porque sonhou que a mãe biológica o abandonou.
Sabes o que é curioso? Todos os teus exemplos - famílias reconstituídas, adoptadas, multirrias - têm uma coisa em comum: tentam compensar AUSÊNCIAS. Ninguém vai criar um puto de propósito sem pai ou mãe. Só as pessoas tentam arranjar substitutos quando a vida lhes tira o original.
Isto faz-me lembrar quando o meu amigo Zé, casal gay, decidiu ter filhos. "Vamos ser super pais modernos!" dizia ele. Três anos depois estava a perguntar à minha mulher como é que ela faz para a filha parar de chorar quando tem cólicas. Porque não é igual, pá. Não é.
Essa de que o mundo muda... Claro que muda! Mas mudar não quer dizer melhorar. Mudar só por mudar é como trocar de cuecas com o vizinho - pode ser diferente, mas não quer dizer que fique melhor.
Não estou a dizer que não haja amor. Há amor aos pontapés. Mas amor não é tudo. Um miúdo também precisa de referências. Precisa de ver como é um homem a tratar uma mulher, como é uma mulher a cuidar de um homem. Não é preconceito, é como aprender a andar - primeiro vês os outros a andar, depois tentas tu.
E antes que fales em avós e tios, pergunta a esses miúdos se preferiam ter os pais em casa ou ter que ir buscar referências aos domingos de visita.